quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ESPARSAMENTE


ESPARSAMENTE

Na treva ensolarada em que partiste,
portavas radiante formosura
e um cinismo mais puro que a mais pura
persona das personas que vestiste.

A rima dos meus versos ficou triste,
e a morte me assoprava com ternura
na direção de entrar na sepultura,
sorrindo como tu jamais sorriste.

Porém, não sei por que, fui eu ficando
mais jovem, jovial, e até contente,
conforme os anos foram se passando.

Agora, apenas sofro esparsamente,
e apenas ao te ver de vez em quando,
já velha, sem o ser, sem nenhum dente.


Marcos Satoru Kawanami