sexta-feira, 28 de março de 2014

borboleta


BORBOLETA

Eu não farei poema à borboleta,
inseto que esvoaça sobre a rima
furtada da inequívoca obra-prima
jamais escrita por esta caneta.

Persigo a perseguida de veneta,
mas voa a rima alheia à minha estima
a qual “torce, aprimora, alteia, lima
a frase”, que se esconde numa greta.

E o muro, “paredão todo gretado”,
é sóbrio, é careta, e é quadrado,
mas guarda para si aquela greta.

Solitário empunhando esta caneta
por ser da borboleta rechaçado,
achei-me, em outra greta, contentado.



Marcos Satoru Kawanami



quarta-feira, 26 de março de 2014

Sin Noticias De Dios (2001) - filme de Agustín Díaz Yanes - com Penélope Cruz e Victoria Abril

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/08/sem-noticias-de-deus-2001-direcao.html
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NÃO SÓ DE PÃO VIVERÁ

—Eu não sou mais criança pra morar
na zona deste baixo meretrício;
na minha escola, aprende só a ter vício
aquela estranha fauna a se enjaular.—

A jovem começou a questionar
a escola igual quem pede um armistício;
criança não é mais, disso é indício
o nome que está dando ao próprio lar.

Percebe que difere da matéria
humana, ainda que bruta, mas humana
na bárbara postura da miséria.

Miséria não de pão, porém na gana
pra ter a vida envolta em vida séria,
sentindo Deus no além que dEle emana.




Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 20 de março de 2014

2001: a space odyssey - film of Stanley Kubrick


WE?

Lonelyness is a so natural state
of any living matter you will find;
’cause when I was a child, now I remind
myself: I was alone, that was my hate!

I had a mother, a father, a faith,
and the true love of my sister, so kind...
come from the very equal flesh of mine,
and, yet, I was I behind the soul’s gate!

Now, where’s my faith, my sister, where am I?
in this spinning sphere which just says good bye
to teach us good bye, to teach us to pass...

As our life goes too fast, we’re lonely as
the fast spaceship that goes faster as far
it is from us, from the Origin we are!



Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 18 de março de 2014

O meio do avesso - Rafaela Figueiredo



O meio do avesso – livro de Rafaela Figueiredo

        Um dos predicados da Poesia é revelar o que não é óbvio, um outro também é dizer o óbvio de maneira não óbvia. Rafaela Gomes Figueiredo faz tanto um quanto outro com maestria, e ainda alcança dizer o não óbvio de maneira não óbvia!
         É a raridade de uma inteligência que capta o sutil, e o transforma em sublime. E, com essa impressão, foi que eu li todo o seu livro O meio do avesso.
        Identifiquei-me com a estética pitoresca e precisa, além da imaginação mas jesuiticamente racional e firme da autora: o livro é denso e irretocável, sólido como o mármore, e fluente como o vinho!
        Há muitos livros lidos que não sinto um livro tão bom. Esta poeta é da elite dos poetas, garanto, e será reconhecida. Eu li cada poema com enlevo idêntico com que li Estrela da vida inteira, de Manuel Bandeira, nos idos de meus 16 anos de idade.



um [o]caso  [2009]

cultivei na pedra a sua flexibilidade.
esculpi em mármore, no escuro,
a efemeridade do sol, da solidificação;
dos astros em metafirmamento.

mas o mármore faliu...
e com ele todo o frio sentimento
derramado no céu branco da razão
como poça, como pó, como poção...

no palco da noite, somente a escuridão
a orquestrar o solo do sono inefável,
como plectro da mente a esmerilhar-se
no quando negro da emoção.






_ _ co _ _ leta  [2009]

se não fosse a boca
[da palavra, a sede]

se não fosse o ócio
[balouçando à rede]

se não fosse a tinta
[na tela ou parede]

se não do amarelo
[derivasse o verde]

se não redondilha
[de cinco, mas sete]

se não fosse a rima
[colhida na Net]

a alcunha poética
seria: COMPLETE!



sexta-feira, 14 de março de 2014

Delírios de um Cinemaníaco (2013) - Diretores: Carlos Eduardo Magalhães / Felipe Leal

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/05/delirios-de-um-cinemaniaco-2013.html
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CONTRADIÇÕES

Portugal...
Lá meu passado deixei,
No chão que nunca pisei.

Não faz mal...
Mal é o mundo que pisei,
Que pisou-me e não deixei.

Frio val...
Das mentiras que aceitei,
Das verdades que inventei.

Pá de cal...
Finda tudo que sonhei,
Mal-me-quer que não plantei.

Prantinal...
Lembro tudo que não sei,
Lembro o que nunca serei.

Funeral...
Amo a morte que esperei,
Espero a mulher que amei.



Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 12 de março de 2014