quarta-feira, 31 de outubro de 2012

haikai de millôr fernandes - cabe mijar - arte moderna - ready made - grafite



HAIKAI DO VIRA-LATA

na poça da rua
o vira-lata
lambe a lua

Millôr Fernandes



CABE MIJAR

Ao acordar,
pensei:
cabe mijar...
Mijei.

Ao me cagar,
pensei:
cabe mijar...
Mijei.

Quando a bestar,
bestei:
cabe pensar...
Caguei.

Se, a poetar,
sonhei
velas ao mar...,
morei.

E, a soçobrar,
pensei
longe do mar:
Pensei...

Mas, ao pensar,
sorri,
e descobri
o mar.
— Fazendo xixi
na poça da rua.

Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 30 de outubro de 2012

o signo da cidade (filme brasileiro) - cinema nacional - sessão brasil da rede globo de televisão - roteiro de Bruna Lombardi - direção de Carlos Alberto Riccelli - Denise Fraga, Juca de Oliveira, Malvino Salvador, Graziela Moretto, Fernando Alves Pinto, Eva Vilma e Zecarlos Machado


     A direção de Carlos Alberto Riccelli é perfeita, revela conhecimento e estudo cuidadoso da arte cinematográfica, um estudo depurado e ponderado. O enredo complexo seria uma dificuldade a mais, contudo, flui naturalmente. O foco realista proposto é harmonizado por todos os personagens em sintonia com a vida real. E a fotografia da obra, mantendo ligeiro parentesco com o despojamento clássico do cinema brasileiro, já prenuncia a destreza do diretor também no terreno da fotografia mais afim com o aceptismo hollywoodiano.

Diretores

Atores e atrizes


     Mas o roteiro é que impressiona, pela extrema complexidade; uma trama de enredos interligados e coerentemente concatenados a fim de levar o espectador a se convencer da idéia que acomete a protagonista em seu drama de astróloga solicitada por outrem a viver tantos outros dramas. Engana-se, porém, quem das palavras anteriores achar que a astróloga seja o centro para o qual convirjam os enredos; não, a estorinha vai muito mais além...
     Só assistindo ao filme que eu vi nesta madrugada na Sessão Brasil da TV Globo, que vai ao ar todas as segundas-feiras a partir das 2:30h da madrugada, ou seria nas terças às 2 e 30 da manhã? Esteja ao gosto dos mais subjetivos ou mais exatos, para mim, tanto faz.
     Recomendo que assistam a esta bela obra, porque aqui eu sou incapaz de reproduzir o que a roteirista Bruna Lombardi tão bem escreveu.

Marcos Satoru Kawanami


fotos: http://www.adorocinema.com/

sábado, 27 de outubro de 2012

José Luís Peixoto lê poema "Explicação da Eternidade" - "veredicto ao discurso" de marcos satoru kawanami

os feitos é que são a eternidade


VEREDITO AO DISCURSO

Folha chata de papel,
De que me és de proveito?
Que sentir, sentido, efeito
Têm as palavras ao léu

De seus caprichos lançadas
Desde o limbo imaginário
Para o formato ordinário
Da celulose prensada?

E me ponho a escrever...
Voz burocrática entoa:
“A palavra escrita é boa!”
—Só para ofício há de ser.

Pois escrever é um ofício,
Já dizia o seu Machado
Para Bilac extasiado
Em falácias de artifício;

Mas comunicar efeitos,
Só mesmo os feitos, ação!
Abaixo inócuo confeito,
Volátil discurso vão!

Quero fazer redondilhas,
Versos-monte fervorosos!
Não dizer, mas fazer Ilhas-
Vida em mares estrondosos!

—Todo o de essencial perdido
Em seu arregrar trivial,
Talhe bidimencional.
Rudo cismo: que sentido

Têm as palavras ao léu?
Que sentir, sentido, efeito;
De que me és de proveito
Folha chata de papel?

Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

gaby - gabriela cravo e canela - jorge amado - caatinga nordeste agreste semi-árido e zona da mata atlântica folclore da bahia do cacau de ilhéus de coronel corno manso rapariga e puta bordel bataclan cabaré - novela de walcyr carrasco veiculada pela rede globo - sátira humorística de marcos satoru kawanami - último capítulo da novela - um romance muito bem escrito - uma novela muito bem gravada - memorável - comédia



GABY

Gabriela, cravo e canela:
vestida de trapo, é joinha;
descalça e fedendo, é donzela;
pro turco Nassib, é rainha!

Prepara quitutes gostosos,
e os entrega a Nassib no bar,
ao que dizem os invejosos
que ela “entrega” também no lar...

Acontece que Jorge Amado
inventou uma rapariga(*)
das fantasias de abestado;
Ilhéus, em coro, que o diga:

Gabriela, se tem seqüela,
se tem chulé, se tem remela,
se tiver siso ou for banguela,
para Nassib e Jorge, é bela!

Nhandeara, 14 de setembro de 2012
Marcos Satoru Kawanami

(*) Rapariga no sentido lusitano, feminino de rapaz.

soneto do corinthians - o time do povo - primeiro hino do corinthians



SONETO DO CORINTHIANS - o time do povo

O povo, na esperança, se redime
de toda frustração acumulada
em cada nova aurora mal raiada
às margens do Ipiranga, feito um crime.

O amor de uma nação, assim, se exprime
ao ver a sua esquadra não armada
lutar igual quem luta a fio de espada,
e entanto com mais brio, por ser um time!

Corinthians, time além das quatro linhas,
nação cabendo dentro de um só campo
que, pois, bem engrandeces e amesquinhas.

O coração folclórico destampo
no ritual do meu amor pagão,
dizendo: Vai, vai, vai, vai, vai, Timão! 

Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Christina Montenegro - Homem Ainda Não Existe 01 - Arnaldo Jabor - Os homens querem uma mulher que não existe - Cap.8 de A Moreninha - Programa Mulheres da TV Gazeta: Mamma Bruschetta e o sincerocídio de Cátia Fonseca - Homem não existe, véi...

CIÊNCIA:


HUMOR:

POESIA:


Cap.8 de A Moreninha

Menina solteira
Que almeja casar,
Não caia em amar
A homem algum;
Nem seja notável
Por sua esquivança,
Não tire a esperança
De amante nenhum.

Mereçam-lhes todos
Olhares ardentes;
Suspiros ferventes
Bem pode soltar:
Não negue a nenhum
Protestos de amor;
A qualquer que for
O pode jurar.

Os velhos não devem
Formar exceção,
Porquanto eles são
Um grande partido;
Que, em falta de moço
Que fortuna faça,
Nunca foi desgraça
Um velho marido.

Ciúmes e zelos,
Amor e ternura,
Não será loucura
Fingida estudar;
Assim ganhar tudo
Moças se tem visto;
Serve muito isto
Antes de casar.

Contra os ardilosos
Oponha seu brio:
Tenha sangue-frio
Pra saber fugir;
Em todos os casos
Sempre deve estar
Pronta pra chorar,
Pronta pra rir.

Pode bem a moça,
Assim praticando,
Dos homens zombando,
A vida passar;
Mas, se aparecer
Algum toleirão,
Sem mais reflexão,
É logo casar.

Joaquim Manuel de Macedo (1844)
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PS:
Homem não existe, véi...

"Aqui a gente comete um sincerocídio."
(Cátia Fonseca, apresentadora do Programa Mulheres da TV Gazeta)

Cátia, aqui há sincerocídio freqüentemente, com trema, sem que tremamos.